A sociedade moderna e globalizada tem gerado um novo cenário para o capitalismo, especificamente, para as organizações que querem crescer num mercado cada vez mais competitivo. Empresas têm que concorrer com outras localizadas a milhares de quilômetros de distância ou que existem apenas no “mundo virtual”. O preço do produto, o prazo de entrega, a facilidade de pagamento e até a qualidade, deixam de ser diferenciais. O ser humano passa a receber o destaque. Os conhecimentos, as habilidades e as atitudes das pessoas começam a valer muito, pois agregam valor aos ativos das organizações.

É impossível reverter essa tendência. A sociedade já esta mergulhada na era do conhecimento. Agora, o capital intelectual passa a ser o verdadeiro gerador de vantagem competitiva.

Ou as empresas entram nessa nova tendência, produzindo renovação e desenvolvimento organizacional, ou estarão fadadas ao fracasso.

Existem diversas abordagens sobre o Capital Intelectual. Cada autor discorre de maneira diferente sobre o tema, mas todos apresentam o conhecimento intelectual como um recurso de grande valor para as organizações.

Segundo Edvinsson e Malone (1998, p.40), o capital intelectual “é a posse de conhecimento, experiência aplicada, tecnologia organizacional, relacionamentos com clientes e habilidades profissionais que proporcionam à empresa uma vantagem  competitiva no mercado”. Eles também explicam o Capital Intelectual através de uma metáfora, comparando a empresa a uma árvore, cuja parte visível, constituída por tronco, galhos e folhas, representa o que é descrito em organogramas, relatórios anuais, demonstrações financeiras e outros documentos; as raízes, parte invisível, compõem o Capital Intelectual formado por fatores dinâmicos que embasam a empresa visível.

Brooking (1996, p.13), diz que o Capital Intelectual se refere à combinação de ativos intangíveis, resultantes de mudanças nas áreas de tecnologia da informação, mídia e comunicação, que trazem benefícios intangíveis para as empresas e que capacitam e garantem o funcionamento das mesmas.

Klein e Prusak (1994) apresentam o Capital Intelectual como sendo o material intelectual que foi formalizado, capturado e alavancado a fim de produzir um ativo de maior valor. Assim, esse material torna-se capital ao ser capturado, descrito e compartilhado para ser desenvolvido e utilizado em benefício da criação de valor para a empresa, sempre alinhado com seus objetivos estratégicos.

Stewart (1998, p.69) afirma que o Capital Intelectual “é a capacidade organizacional que uma empresa possui de suprir [e até mesmo de superar] as exigências do mercado”.

Ao se observar a teoria que aborda o capital intelectual, pode-se chegar à conclusão de que engloba apenas o capital humano, pois este é detentor de intelecto e conhecimento.

Neste artigo, a abordagem adotada será a de Edvinsson e Malone. Eles dividem o capital intelectual em dois componentes: capital humano e capital estrutural. Essa divisão é lógica, pois mesmo o ser humano sendo possuidor de conhecimento e intelecto, são necessárias ferramentas e recursos para utilização e aplicação dos mesmos.

Segundo Stewart (1998, p.69), capital estrutural “é tudo aquilo que permite que o capital humano crie valor para a empresa”.

A maioria das empresas possui processos para o gerenciamento do capital estrutural. Este pode ser: infra-estrutura, tecnologias, sistemas, procedimentos, técnicas, ativos de mercado, estrutura organizacional, etc. Existem diversas ferramentas, metodologias, procedimentos e melhores práticas difundidas no mercado para a administração do capital estrutural.

Já quando se fala em capital humano, percebe-se a escassez de ferramentas para a boa administração do mesmo. É difícil ter controle sobre o intangível. A parte mais importante da empresa é a mais desconhecida.

O capital humano é o motor de geração de valor para os demais ativos da organização. Caso este motor esteja fraco ou mal direcionado, fará com que a empresa perca a competitividade.

O capital humano compreende os conhecimentos, habilidades e atitudes dos indivíduos da organização. Esses elementos não podem ser armazenados. Por esse motivo, a empresa deve criar maneiras de retê-los e alavancá-los internamente.

Atrair talentos tem sido a maior preocupação das organizações atuais, pois esses são a fonte do capital humano. Por meio deles, é possível conduzir a empresa a elevados níveis de produtividade, criatividade e inovação. Mas há grande dificuldade em encontrar pessoas com alto potencial.

Como maneira de driblar a falta de talentos, as empresas têm valorizado cada vez mais o trabalho em equipe e o compartilhamento de conhecimentos e experiências, para que novos talentos sejam formados e o capital humano seja ampliado.

Outra maneira de ampliar o capital humano dentro da organização é por meio da educação corporativa. Esta favorece o desenvolvimento da capacidade de aprender a partir da própria experiência dos colaboradores, que podem ser considerados vastos repositórios de conhecimento, ou por meio de experiências de pessoas ou organizações externas.

Quando o capital humano é desenvolvido e somado ao capital estrutural bem gerenciado, produz aumento do capital intelectual. Este tem a força de gerar vantagem competitiva.

Somente por meio do capital intelectual a empresa terá subsídios para a renovação e o desenvolvimento de maneira que se posicione a frente dos seus concorrentes e “navegue no oceano azul do mercado”.

O desejo de todo empresário é ter uma empresa inovadora, competitiva, lucrativa, cujos produtos são referência de mercado e cujos colaboradores se sentem satisfeitos com o seu trabalho e motivados para fazer sempre mais.

Para alguns, isso não passa de sonho ou exagero. Mas para os líderes focados na melhoria e realmente preocupados com o futuro de suas organizações, esse desejo é atingível. O segredo está no capital intelectual.

As empresas precisam mudar paradigmas, devem organizar e aprimorar o capital estrutural e, em paralelo, desenvolver e maximizar o capital humano. Os colaboradores devem deixar de ser figurantes para se tornarem protagonistas dessa mudança.

O capital intelectual deve ser o instrumento gerador de vantagem competitiva e de renovação e desenvolvimento contínuo para a organização.

Postado por: Ricardo Mendes
www.gestaoporcompetencias.com.br

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Categoria: Artigos

2 Responses so far.

  1. Valdez Kempim disse:

    Muito bom este artigo, o capital intelectual é o que está fazendo a diferença nas empresas. Muitas corporações estão com problemas por não saber dar valor a este recurso.
    Ótima sugestão de leitura.


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